Pessoas que estão despertando

sábado, 6 de outubro de 2018

Biosseguridade na criação de Ovinos e Caprinos



Como bom e qualquer criador, sempre gostamos de ir atrás de informações que possam melhorar a produtividade de nosso rebanho, assim como manter os animais bem instalados nas devidas técnicas de Bem-estar e manejo correto de forma a todos saírem ganhando, não é mesmo! 
Um criador responsável deixa seus animais livres de enfermidades, fome, sede ou desconforto e proporciona condições favoráveis de produção, nunca explorando-os em demasia, respeitando o tempo de cada espécie. Separei algumas ótimas dicas para começar a sua criação de ovelhas e/ou cabras! Bom proveito. 

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Sanidade de Ovinos e Caprinos

Medidas de Higiene e Bem- Estar

©       Ventilação adequada aos animais               
©       Temperatura
©       Umidade
©       Capacidade de lotação (1,0-1,5m2/adulto)
©       Limpeza do aprisco (capril ou ovil) com frequência
©       Manutenção de pastagens para evitar verminoses

Aprisco

©       Principal instalação – área coberta
©       Declividade de 5% - facilita escoamento de água
©       Divisões - baias individuais, coletivas, maternidade, etc.
©       Piso ripado - 0,8 a 1 metro do solo
©       Limpeza diária ou a cada dois dias
©       Limpeza dos bebedouros periodicamente
©       Limpeza dos comedouros

Baias e galpões

©       Tipos de piso:
    Piso Ripado: menor contado dos animais com fezes, urina e umidade. Facilita a limpeza.
    Piso de chão batido: baixo custo, mas os animais tem maior contato com fezes, urina e umidade (disseminação de pneumonia, verminoses e diarreia). Necessita material para cama.
    Piso de Cimento: alto custo, animais também tem contato com urina, fezes e umidade. Necessita material para cama com trocas frequentes, pois impede drenagem e não permite a perda de calor a noite causando desconforto.
©       Cama de revestimento: maravalha, serragem média, palha-de-arroz, palhadas de capim picado, casca de café ou areia (menos recomendado).
©       Solário: área descoberta, contígua ao aprisco, aprisco, sem vegetação (verminoses), preferencialmente de solo-cimento cimento (16:1) (fácil limpeza, limpeza, baixo custo)
©       Esterqueira:
    Em geral: 20 a 50 metros do aprisco
    Preferencialmente coberta (alvenaria, bambu), subterrânea ou superficial (perda de nutrientes, contaminação)
    Dimensões de acordo com a quantidade de animais, subdividida em 2 ou 3 compartimentos
    Esterco retirado a cada 60-90 dias
    Eliminação do odor (amônia): camada (10cm) de cal virgem a cada 5 dias- enriquece o adubo com cálcio.
©       Comedouros:
    Preferencialmente na parte externa da baias.
    Materiais: tambor plástico, madeira, alvenaria, cimento, etc.
    Deve permitir o acesso de todos os animais ao mesmo tempo.
    Altura sempre acima da cauda.
    Do lado oposto aos bebedouros.

 Sala de ordenha

©       Sempre limpa e organizada, somente animais lactantes.
©       Preferencialmente: paredes azulejadas até 1,5m, piso de cimento rústico ou emborrachado.
©       Pedilúvio: com 10 cm de profundidade, sempre na entrada de salas de espera e bretes.

Áreas de isolamento

©       Sempre longe do aprisco.
©       Baias individuais com solário e de material de fácil limpeza.
©       Para abrigar animais doentes ou com suspeitas, além de possuir ambiente preparado de Quarentena para receber os animais recém-adquiridos (de leilões, feiras, etc.) de modo a evitar a contaminação no lote atual, onde devem permanecer em observação em média 20 dias.

Depósitos de ração e silos

©       Local seco e bem ventilado, com estrado de madeira para evitar a umidade excessiva.
©       Silos bem cobertos e protegidos de pragas (roedores e insetos).
©       Pia, sanitário e banheiro para funcionários e técnicos manterem a higiene.

Fêmeas prenhes e Crias

©       Fêmeas Prenhes:
    Evitar contato com matrizes de outras espécies (gatos, ratos).
    Separar matrizes 6 a 8 semanas antes do parto.
    Vermifugar e vacinar 3 a 4 semanas antes do parto.
    Realizar limpeza e corte dos pelos da cauda, úbere e olhos.
    Após o parto verificar se a matriz expulsou a placenta.
©       Crias:
    Corte e desinfecção do cordão umbilical (iodo a 10% por 2 a 3 dias).
    Garantir a ingestão do colostro nas primeiras 6 horas.
    Manter os recém nascidos no aprisco nos primeiros 15 a 20 dias de vida.
    Colostro: armazenar até 7 dias a 4ºC, e até 6 meses congelado a -10ºC.
    Aquecer o colostro a 50ºC e oferecer 150ml três vezes ao dia.
    Vermifugar com três semanas (saída para o pasto ou desmame em piquetes específicos).
    Cortas os pelos da cauda de cordeiros lanados ao 2º ou 3º dia de vida,  evita acumulo de fezes e muco.
    Separação de animais por sexo ou castração para os maiores de 4 meses.

Adultos

©       Casqueamento: é importante, pois há o acumulo de matéria orgânica, que pode dificultar a locomoção, reduzir a ingestão de alimento, dificultar a cobertura dos reprodutores.

Principais doenças infecciosas

©       Mastite: inflamação da glândula mamária (Staphylococcus aureus, Staphylococcus spp., Streptococcus spp, Pseudomonas aeruginosa, Escherichia coli). Transmitida pelo ordenhador, ou ordenhadeira através do canal do teto. Sintomas são febre, edema, leite com grumos de pus.
©       Na pré-ordenha: realizar a higiene das mãos, utilizar uma caneca telada de fundo preto para verificar qualquer alteração no leite, limpar o úbere (agua clorada se necessário), antissepsia pré-dipping (: soluções iodadas a 0,25 a 1% ou à base de hipoclorito de sódio 2% a 10%) e secar o úbere com toalha descartável.
©       Na pós-ordenha: fazer imersão dos tetos em solução de iodo glicerinado a 1% (esfíncter aberto).
©       Linfadenite caseosa: Doença contagiosa crônica de ovinos e caprinos caracterizada por abscessos nos linfonodos superficiais ou internos (Corynebacterium pseudotuberculosis). Transmitida pela pele, geralmente lesões, contato com animais doentes e alimentos contaminados. Sintomas são aumento dos linfonodos. O tratamento é feito com a antissepsia e remoção dos abcessos.
©       Ceratoconjuntivite contagiosa: enfermidade  infecto-contagiosa com reação inflamatória de caráter agudo ou crônico da conjuntiva que acomete ovinos, caprinos e bovinos. Sintomas são lacrimejamento intenso, vermelhidão, inchaço nos olhos e úlceras na córnea. (Branhamella ovis (Moraxella ovis), Mycoplasma spp, Chlamydophila spp, Moraxella bovis, Staphylococcus aureus). Evitar pastos muito altos, pouco sombreamento, ambientes muito fechados, controle de moscas, poeira e animais de outras espécies. Vacinas os animais a partir de 4 meses de idade.
©       Pododermatite: doença contagiosa crônica, necrosante da epiderme interdigital e matriz do casco dos ovinos e caprinos, levando à manqueira (claudicação). Sintomas são perda de peso, queda na produção de lã, leite e carne e transtornos reprodutivos. (Dichelobacter nodosus). Realizar pedilúvio nos animais: formalina a 2,5% ou sulfato de zinco a 10%, vacinação (Foot-Vac®) a partir dos 3 meses de idade.
©       Artrite-encefalite caprina (CAE): doença contagiosa viral que provoca inflamação no sistema  nervoso, nas articulações e nas glândulas mamárias (vírus da família Retroviridae). A transmissão se dá através de consumo de leite ou colostro de animais infectados, sêmen ou fômites com sangue. Sintomas são claudicação e edema em animais de mais de 2 anos com artrite no joelho, em filhotes pode ocorrer paralisia de um dos membros. Não há vacina nem tratamento, é feito eutanásia.
©       Ectima contagioso: enfermidade causada por DNA vírus (família Poxviridae, gênero Parapoxvirus), acometendo caprinos e ovinos entre o 3º e 6º mês de idade. Sintomas são pontos avermelhados nos lábios que formam pústulas que se rompem, vesículas na gengiva, narinas, úbere , língua, olhos e vulva. Quando o animal ingere a saliva infectada causa úlceras no estômago e intestino (óbito). Revacinar os animais a cada seis meses, pois não há tratamento.
©       Língua Azul: doença infecciosa causada por vírus do gênero Orbivirus, família Reoviridae que afeta ruminantes domésticos e silvestres (cervídeos), apresentando como vetores, insetos hematófagos do gênero Culicoides (borrachudo, mosca do sangue. Sintomas são edema de face, febre, corrimento nasal com crostas, vesículas na boca e lábios, claudicação, perda de peso, óbito. Em caprinos causa uma anemia leve. No Brasil não há vacina para as estirpes circulantes.
©       Micoplasmose: Lesões inflamatórias nas articulações, glândula mamária, pulmões e olhos por espécies de Mycoplasma. Os jovens são mais susceptíveis, e os sintomas são febre, tosse, aumento de linfonodos e articulações.
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Verminoses: Haemonchus spp. Causa anemia e edema submandibular. O tratamento é feito com anti-helmínticos, método da famacha (exame ocular) e manejo das pastagens.


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